sexta-feira, 30 de maio de 2014

Índice de homicídios dispara na Bahia


O Mapa da Violência 2014 mostra que o índice de homicídios não parou de crescer na Bahia num período de 10 anos. O maior crescimento ocorreu entre 2003 e 2007, quando o governador era Paulo Souto.
Em 2003, no primeiro ano da administração de Paulo Souto, foram registrados 2.155 assassinatos. No último ano de governo de Souto ocorreram na Bahia 3.278 homicídios.
A pesquisa coordenada pelo Centro Brasileiro Estudos Latino Americano revela ainda que em 2002 foram registradas 1.735 execuções na Bahia. O estudo mostra que a quantidade de mortes violentas não tem parado de aumentar.

Leia mais sobre a violência na Bahia:

O levantamento indica que em 2012, já no segundo governo de Jaques Wagner, ocorreram 5.936 assassinatos. O problema aumentou tanto em municípios como Itabuna e Feira de Santana, quanto em pequenos, como Buerarema.
A pesquisa revela também que apenas três estados nordestinos conseguiram baixar o índice de mortes violentas entre 2011 e 2012, Pernambuco, Paraíba e Alagoas. Enquanto isso, no Ceará houve aumento de 36,5%.


Já em Roraima, no Norte, a taxa de homicídio cresceu 71,3%. Outro estado naquela região com aumento de assassinatos foi o Acre, com alta de 22,4%.
O Mapa da Violência é um levantamento baseado no Sistema de Informações de Mortalidade, do Ministério da Saúde, que tem como fonte atestados de óbito. O estudo completo será divulgado nos próximos dias. ( A Região)

Policiais Militares em festa. Juiz federal revoga prisão de Marcos Prisco

Representante maior dos policiais, Marcos Prisco, que é vereador em Salvador
estava preso desde o feriado da  Semana Santa
O advogado Fábio Brito divulgou no Facebook , no final da tarde desta sexta-feira (30), que vereador Marco Prisco, que liderou o movimento grevista da Polícia Militar da Bahia, teve a prisão revogada e deve deixar o presídio ainda nesta sexta-feira (30).
Relembre como começou: 

PM Baiana Entra Em Greve Por Tempo Indeterminado

A decisão da Justiça saiu na tarde de hoje e a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares. A informação foi confirmada pelo advogado Vivaldo Amaral ao Jornal Correio da Bahia e pelo deputado estadual Capitão Tadeu ( PSB) por meio da redes sociais.

Prisco liderou a greve da PM que foi encerrada no dia 17 de abril. A prisão dele, no entanto, foi motivada por outra greve, também encabeçada pelo vereador, em 2012. (blog Agravo)


Desarmado Esquema De Sonegação Fiscal No Sul Da Bahia



Uma organização criminosa, envolvida em fraudes fiscais nos setores de distribuição de alimentos e de postos de combustíveis e que atuava em municípios da região sul da Bahia, foi desarticulada nesta sexta-feira (30), por uma força-tarefa integrada pela Secretaria da Segurança Pública/Polícia Civil, por meio da Delegacia de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap), Secretaria da Fazenda do Estado e Ministério Público.
Quarenta e nove policiais civis, três promotores de Justiça e 16 servidores da Secretaria da Fazenda participaram da Operação Vesúvio, para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão, nas cidades de Jequié, Ubatã, Caravelas, Itabuna, Ibirapitanga e Ipiaú. O empresário Eugenildo Almeida Nunes, líder do esquema fraudulento, que provocou prejuízos superiores a R$ 90,5 milhões ao fisco estadual, se encontra foragido, assim como quatro parentes e um “laranja”, mantidos como sócios.
Foram identificadas 41 empresas pertencentes ao grupo liderado pelo empresário cujo patrimônio reúne 48 imóveis, entre fazendas, terrenos, casas e pontos comerciais, além das empresas.

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Além de Eugenildo, estão sendo procurados Jane Oliveira, sua companheira, Rejane Oliveira Nunes e Aline Huseel de Oliveira, filhas do casal, Rita Almeida Nunes, irmã do empresário, e Marcos Paulo Pereira Neves. Uma mulher, cujo nome não foi revelado, também apontada como participante do esquema e que tinha um mandado de prisão em aberto, foi capturada em Jequié, onde a Polícia Civil ainda cumpriu seis mandados de busca e apreensão. Os demais ocorreram em Ilhéus e Caravelas. (blog Agravo)

Madrugada de terror: assalto a banco deixa três policiais feridos na Bahia


Aconteceu nesta madrugada 30/05 na cidade de Brotas de Macaúbas total terror, onde duas agências foram detonadas, uma do Banco do Brasil e do Bradesco. O silêncio da madrugada tranquila deu lugar a barulhos de tiros e explosões. Eram aproximadamente 2 horas da madrugada quando houve a primeira explosão. Em seguida se ouviu mais um forte estrondo. 

Era o a segunda dinamite sendo detonada no caixa eletrônico do Banco do Brasil. Poucos minutos depois, mais um forte barulho. Esse foi o maior de todos. 
Os bandidos explodiam o cofre da agência do Bradesco. Em seguida rajadas de tiros puderam ser ouvidos por quase toda cidade. Uma equipe da CAESA (Companhia Independente de Policiamento Especializado - Semi Árido) que fazia ronda na região sofreu uma emboscada pelos criminosos e começou o confronto. "Parecia uma guerra. Ninguém mais conseguia dormir", disseram os moradores. Os policiais pegos de surpresa, mal tiveram tempo para se protegerem, e reagindo à ação dos meliantes para escapar dos tiros. Dois deles foram baleados de raspão e conseguiram fugir juntamente com outro que não sofreu ferimentos.
Um policial foi levado pelos assaltantes e logo depois foi encontrado na entrada da cidade desmaiado depois de ter sido espancado. Os bandidos usaram armamento pesado. Casas ao redor dos bancos foram alvejados. As pessoas apavoradas ainda não entendiam o que estava acontecendo. O morador conhecido como Mazin Ferro, foi abordado por dois bandidos encapuzados que o fizeram voltar para dentro de casa. Eles perseguiam os três policias da CAESA que se esconderam atrás de sua casa.
A equipe do SAMU de Ipupiara que chegava de ocorrência, também foi alvo dos bandidos. Os meliantes atiraram nos pneus da ambulância e o condutor foi rendido mas liberado em seguida.
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Devido o horário, poucas pessoas viram o início da operação mas muitas conseguiram escutar tudo e vivenciar esse momento de terror pois alguns bandidos passaram atirando para cima em algumas ruas da cidade. Quando as rajadas deram uma trégua, se ouvia, "Mão na cabeça, mão na cabeça". Eram os bandidos rendendo o policial que foi levado como refém.
Somente por volta das 05h50 da manhã, é que cinco viaturas da CAESA saíram em busca dos assaltantes. Com informações do Portal Brotas News.

Veja a violência da ação por parte dos bandidos nas fotos abaixo:

 Interior da agência do Banco do Brasil após as explosões






quarta-feira, 28 de maio de 2014

Mato toma conta de escola que deveria atender juventude de Canavieiras e Una

Descaso com dinheiro público (foto unanamidia)
O Governo da Bahia demonstra mais uma vez a sua despreocupação com a educação baiana. Uma escola que deveria atender cerca de 900 alunos, localizada no município de Una, mais precisamente no povoado de Oiteiro, distante 10 km da sede do município, encontra-se totalmente abandonada desde que foi concluída sua construção, há mais de 01 ano.
 
A obra foi resultado de uma parceria entre a prefeitura de Una e o Governo do Estado da Bahia no ano de 2010, porém, mesmo tendo sido entregue pela empreiteira desde abril de 2012, foi deixada abandonada. Moradores do povoado informaram que um antigo funcionário da empreiteira é quem "cuida" do local, o qual utiliza como moradia, razão pela qual a escola ainda não foi depredada por vândalos, mas a natureza é impiedosa e as instalações já se encontram tomadas pelo mato. Um claro sinal de desrespeito total ao dinheiro público.

foto: unanamidia
O que era pra ser uma escola profissionalizante para servir às comunidades de Una e Canavieiras, tornou-se mais um "elefante branco" nas mãos de políticos que não têm o mínimo respeito por aquilo que deveria ser um dos pilares da sociedade: a educação. A ideia inicial era que a Instituição de ensino oferecesse para os nossos jovens, cursos de eletricidade, informática, eletrotécnica e outros, porém sequer os mobiliários foram adquiridos.

O espaço físico da escola é composto por 06 (seis) salas de aula, 01 (um) laboratório de informática, cozinha ampla e refeitório, além das salas de direção e coordenação. Com informações do blog unanamidia.
foto: unamidia
As fotos abaixo são de pouco tempo depois da escola ter sido concluída e entregue pela empreiteira:


terça-feira, 27 de maio de 2014

Paulo Souto venceria no primeiro turno. Diz pesquisa

Paulo Souto venceria a eleição para governador da Bahia já no primeiro turno, se as eleições fosse hoje. Teria 42% dos votos, mais do que a soma das intenções dos outros quatro candidatos (23%). É o que revela a primeira pesquisa Ibope/Correio para outubro.


O pré-candidato da aliança de oposição ao governo Jaques Wagner (PT) está 31 pontos percentuais à frente da senadora Lídice da Mata (PSB) que tem 11% das intenções de votos apuradas na pesquisa estimulada. O pré-candidato da situação, Rui Costa, seria o terceiro, com 9%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Os demais pré-candidatos são Rogério da Luz (PRTB), com 2%, e Marcos Mendes (PSOL), com 1% das intenções de votos.

Souto também lidera na pesquisa espontânea, com 13%. Ainda na espontânea, Wagner aparece mais bem cotado do que seu candidato, Rui Costa. Eles têm 6% e 3% respectivamente. Costa obteve o mesmo índice para governador que Geddel Vieira Lima, citado espontaneamente por 3%. Nesse levantamento, Lídice aparece apenas com 1%. O levantamento revela que 49% do universo pesquisado não sabe em quem votar ou não quis responder quando provocado a citar espontaneamente um nome. 

O democrata, hoje, teria mais votos no interior da Bahia do que na capital: 43% e 36% do eleitorado, respectivamente. O petista também (10% e 9%). Já a socialista teria um eleitorado proporcionalmente maior em Salvador, 14%, do que no interior, 10%.

Num eventual segundo turno, Paulo Souto venceria, hoje, tanto Lídice da Mata (46% x 18%) quanto Rui Costa (48% x 15%). A senadora socialista bateria o petista por 36% contra 16% se a disputa fosse entre eles. Neste caso, a soma dos que anulariam ou votariam em branco é de um terço do eleitorado: 33%.

A pesquisa Ibope/Correio foi realizada entre os dias 15 e 19 de maio de 2014 com 1.008 entrevistados. O nível de confiança utilizado é de 95% e o levantamento foi registrado no TRE sob o protocolo BA-00004/2014 e no TSE, BR-00130/2014 encomendada pela Empresa Baiana de Jornalismo, que edita o Correio.

Padrinhos

Rui Costa (PT) dobra (de 9% para 18%) suas intenções de voto quando o eleitor é informado que ele faz chapa com Otto Alencar e é apoiado pela presidente Dilma Rousseff e por Jaques Wagner.
No mesmo levantamento, Paulo Souto (DEM) seria eleito governador com 41% dos votos com o apoio do senador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito ACM Neto (DEM). Mas a senadora Lídice da Mata recua de 11% para 9% quando o entrevistado é informado do apoio do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) e da ex-ministra Marina Silva.


Para o Senado

Geddel Vieira Lima, do PMDB, está com 34% dos votos, seguido por Otto Alencar (PSD), com 14%, e de Eliana Calmon (PSB), com 5%.
Geddel e Otto são mais bem cotados no interior, onde o peemedebista teria 35% dos votos (32% na capital) e o candidato da situação, 15%. Em Salvador, Otto tem 10% das preferências. A socialista concentra mais intenções de voto na capital (6%) do que no interior (5%). O Ibope ouviu 1.008 entrevistados entre 15 e 19 de maio. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. A amostragem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral no último dia 22 sob o número BA-00004/2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Brasil precisa de uma nova polícia


Criticadas por seu grau de violência e pela baixa eficácia, instituições formam policiais com vícios da ditadura militar. Governos insistem em soluções pontuais que sucumbem às antigas práticas de corrupção e corporativismo


Quem precisa de polícia? A pergunta carregada de indignação estava entre os muitos e difusos pleitos das manifestações de 2013. A resposta é óbvia, apesar de incômoda para as alas radicais que querem ‘mudar o país’, sem dizer exatamente para onde. A todos – exceto aos bandidos – interessa uma polícia presente, preparada, capaz de servir, intervir e mediar conflitos que a sociedade não conseguiu equacionar por diálogo e consenso. O uso da força, é claro, faz parte desse repertório de ações, mas como recurso extremo.
Não é este o retrato das forças policiais Brasil afora. Tampouco foram os manifestantes os primeiros a reivindicar mudanças nas instituições – particularmente as militares. O relatório de 2014 da organização Human Rights Watch, no capítulo dedicado ao Brasil, cita as 1.890 mortes atribuídas a policiais no ano de 2012 – dado fornecido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Diz o relatório: “Nem todas as mortes ocorridas em decorrência de ação policial resultam do uso legítimo de força”. Separados os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, houve naquele ano, respectivamente, 165 e 362 homicídios cometidos por agentes. O documento destaca como exemplo o caso do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde 14 de julho do ano passado na favela da Rocinha, no Rio. Vinte e cinco policiais militares foram denunciados pelos crimes de tortura, assassinato, ocultação do cadáver e obstrução da Justiça.
Há um desencontro histórico entre o que se quer da polícia e o modelo que os governos mantêm nas instituições e na forja de novos policiais. Apesar de graduados em épocas diferentes, são parecidíssimos, em sua formação, os 79 PMs réus pelo massacre de 111 presos do Carandiru, em 1992, e os 25 policiais agora julgados no Rio de Janeiro pela morte de Amarildo. Os agentes do Carandiru foram treinados entre as décadas de 70 e 80; os do Rio, em sua maioria, são egressos de turmas dos anos 2010, dos bancos da academia dedicados a formar a nova polícia concebida pelo secretário de Segurança de Estado, José Mariano Beltrame. Na avaliação de especialistas em segurança pública ouvidos pelo site de VEJA, mudanças pontuais, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) ou os programas que trazem pequenas inovações, não são suficientes para entregar à sociedade uma polícia livre de vícios e mais voltada para o serviço ao cidadão do que para a guerra.
Militares – É a PM o alvo maior das denúncias de abusos, corrupção, ineficiência e, até, por sua ausência. Afinal, na divisão de competências estabelecida entre a polícia judiciária e a ostensiva, coube aos homens e mulheres fardados a missão de travar o corpo a corpo com a população, em situações que vão das operações de trânsito à contenção de protestos.
A antropóloga Haydée Caruso, professora da UnB, pesquisou a formação dos praças da Polícia Militar do Rio em trabalho de mestrado entre 2002 e 2004. Constatou que as principais instruções de procedimentos datavam da década de 80. O que havia de “novo” eram manuais criados em 1983 pelo coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira, que comandou a instituição nos anos 80 e é considerado o criador dos postos de policiamento comunitário em favelas do Rio. As disciplinas que dominam os currículos são as de ênfase jurídica e militar.
"As academias de hoje formam profissionais inseguros, que têm pouco conhecimento sobre a realidade da rua e do que a população quer desse policial. Rapidamente os conceitos novos são suprimidos pelo que dita a prática dos veteranos. O treinamento formal, de certa forma, melhorou. Mas não o suficiente para transformar os padrões de comportamento e a relação que o agente estabelece com a população”, afirma Haydée.
A formação dos agentes é um reflexo da forma como foram concebidas as instituições policiais, um problema bem anterior à ditadura militar. As forças que hoje atuam nas cidades nasceram com o intuito de servir à sociedade democrática. “Temos no Brasil uma cultura policial muito arraigada, anterior até à ditadura militar. Nossa estrutura policial foi concebida para finalidades não vinculadas à sociedade democrática, com a polícia que caçava escravos, formada por jagunços e milícias com a finalidade de cumprir interesses que não são os da cidadania, em um tempo de desigualdade social muito grande”, explica o sociólogo Rodrigo Azevedo, professor e pesquisador da PUC-RS, especializado em ciências criminais.
A divisão de competências entre as instituições civis e militares criou no Brasil um padrão que tem, ao mesmo tempo, sobreposições e descontinuidade de competências. É a Polícia Militar que age na rua, aborda o cidadão, prende suspeitos e conduz as “ocorrências”. Mas é a Polícia Civil a encarregada de registrar, encarcerar, indiciar e encaminhar os casos ao Ministério Público e, finalmente, à Justiça. Em resumo, uma força detém os registros, os dados específicos e a documentação sobre a criminalidade; e é outra corporação a encarregada de prevenir o crime, atuar nos locais e momentos em que determinado delito pode ocorrer. Na prática, essa fissura no processo também cria disputa de poder, com os comandos das duas instituições disputando controle, por exemplo, sobre as interceptações telefônicas e sobre posições no Executivo – mais especificamente nas secretarias de Segurança e nos ministérios ligados a essa área.
A fissura nesse procedimento alimenta uma corrente que defende a desmilitarização da polícia. Coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas Gerais (Crisp/UFMG), o sociólogo Claudio Beato rejeita medidas abruptas e radicais sobre as PMs. “A desmilitarização saiu das ruas muito desfocada. De fato, temos problemas com o sistema no qual duas polícias trabalham sobre a mesma coisa. A estrutura dupla não funciona. É preciso criar uma polícia que funcione paralelamente às atuais, até uma substituição completa. Seria algo como uma polícia metropolitana”, defende Beato.
A desmilitarização, isoladamente, não é solução, indicam especialistas ouvidos pelo site de VEJA. Afinal, as instituições civis também são corroídas por corrupção, corporativismo e pressões políticas e ideológicas. “A Polícia Civil é cartorial, burocrática, não investiga. O delegado de polícia – um bacharel em Direito – é muito descolado do processo de investigação. Lida com tiras que cumprem processos viciados de uma rotina não necessariamente compatível com que diz essa chefia”, exemplifica Azevedo.
Truculência – De forma geral, as polícias recebem mais críticas por excessos do que por suas omissões. De acordo com Luciane Patrício, superintendente de educação da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, o currículo de formação dos praças da PM foi reformulado em 2012, com mais foco em disciplinas técnicas e conteúdo humanístico. Mas ela reconhece que as boas práticas ensinadas na academia ainda precisam ser respaldadas por uma mudança na "estrutura institucional". "Toda a estrutura institucional precisa caminhar nessa mesma direção. Essa lógica de formação militar está em disputa com uma lógica que defende um policial que preste serviço para a comunidade. Ainda predomina uma doutrina militar, de que existe um inimigo público a ser perseguido. Acredito, porém, numa superação da lógica cidadã, de que a polícia é prestadora de serviço e não para fazer guerra", diz Luciane.
As UPPs ainda são, com todos os defeitos, o programa que mais apresentou resultados no Rio de Janeiro – um local onde o crescimento do tráfico de drogas e das quadrilhas parecia algo impossível de combater. Mas, como alertam os especialistas em segurança, como projeto pontual, as unidades da polícia instaladas em favelas têm limitações. O pedido de ajuda ao governo federal e às Forças Armadas, que possibilitam agora a ocupação do Complexo da Maré, comprova a tese. As UPPs são vitais para que o Estado do Rio não regrida, mas sozinhas não dão conta do problema. Desde a ocupação do Morro Dona Marta, em Botafogo, em 2008, até o estágio atual, o programa se expandiu e abarcou ao todo 37 favelas. Em algumas delas, no entanto, o objetivo de “pacificar” ainda é algo distante, e os PMs tornaram-se alvos de bandidos ou, como a “velha polícia”, carecem de credibilidade. Com informações da revista Veja.

Médicos e governo divergem sobre capacidade de atendimento na Copa

Em Salvador, governo e médicos se dividem em relação à capacidade de atendimento diante da expectativa da chegada de milhares de turistas atraídos pelos três clássicos europeus que serão disputados na Arena Fonte Nova na Copa; o governo garante que a estrutura montada é suficiente para atender a demanda, mas representantes do Sindicato dos Médicos da Bahia discordam; "Tanto o serviço municipal quanto estadual na Bahia estão passando por grandes dificuldades", diz Francisco Magalhães (foto), presidente do Sindimed

 

Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil
Em Salvador, semanas antes do início da Copa do Mundo, governo e profissionais de saúde se dividem em relação à capacidade de atendimento diante da expectativa da chegada de milhares de turistas atraídos pelos três clássicos europeus que serão disputados na Arena Fonte Nova. O resultado só poderá ser medido no final da Copa do Mundo. O governo garante que a estrutura montada é suficiente para atender a demanda. Já representantes do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA) discordam.
"Tanto o serviço municipal quanto estadual na Bahia estão passando por grandes dificuldades", disse Francisco Magalhães (foto), presidente do Sindimed, ao mencionar a falta de estrutura e profissionais nas unidades. "As instalações estão precárias e, em termos de pessoal, há restrição de contratações e isso começa a se constituir em precarização. Os [profissionais] que têm, acabam trabalhando mais, com sobrecarga".
No início de maio, médicos da rede municipal de Salvador decidiram aderir à greve, deflagrada por outros servidores da capital baiana e que terminou na semana passada.
A Arena Fonte Nova será palco da disputa entre Espanha e Holanda, no dia 13 de junho; Alemanha e Portugal, no dia 16 e Suíça e França, no dia 20. Nesses dias, três postos de atendimento funcionarão no perímetro do estádio, com médicos e enfermeiros, abrindo três horas antes da partida e fechando uma hora depois. O mesmo esquema será repetido no dia 25, durante a partida entre Irã e Bósnia-Herzegovina, e nos dias 1º de julho, em uma partida das oitavas de final, e 5 de julho, durante um dos jogos das quartas de final.
Luciana Peixoto, diretora de Atenção e Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e responsável pela área durante o Mundial, explicou que os profissionais lotados nas unidades de atendimento avançado estão preparados para atender desde casos mais simples de ortopedia até fazer pequenas cirurgias. Números do governo apontam que, no perímetro da arena, vão atuar mais de 160 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, condutor do Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) e agentes da vigilância sanitária.
"As equipes das unidades de emergência próxima à arena também terão mais profissionais de enfermagem do que o normal. Se tem oito terão, pelo menos, dez enfermeiros", acrescentou.
O governo aposta no esquema e diz que as experiências vividas nos eventos-testes, como o carnaval fora de época e a Copa das Confederações, provaram que a estrutura montada é suficiente para atender ao evento. "A rede já tem expertise de fazer o carnaval. O posto é similar, tem a mesma estrutura e profissionais capacitados que já sabem como encaminhar. A experiência na Copa das Confederações mostra que transferimos menos de 10% das pessoas atendidas nos postos", informou a diretora.
Luciana Peixoto garantiu que os atendimentos aos moradores da cidade não serão prejudicados com a chegada de um número maior de turistas. "Na rede de urgência e emergência, aumentamos mais uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e em junho teremos mais uma para atendimento imediato e estamos reforçando as unidades existentes".
Durante o Mundial, além das dez UPAs que estarão em funcionamento em Salvador, quatro hospitais estaduais na capital, além da unidade de ortopedia, foram acionados para funcionarem como unidades de retaguarda caso seja necessário transferir pacientes. Não existem hospitais municipais em Salvador.
De acordo com informações do plano integrado de saúde para a Copa, formulado por órgãos do estado e do município, a rede estadual tem 217 leitos clínicos e 78 de UTI. Durante o período dos jogos, haverá cerca de 50 ambulâncias do Samu.

Grávidas denunciam médico cubano por abuso sexual

Polícia Civil de Goiás investiga denúncia de três mulheres contra integrante do programa do governo federal Mais Médicos que atua desde o começo do ano na cidade de Luziânia (GO), região do Entorno de Brasília; elas alegam que clínico geral cometeu atos libidinosos durante consultas; Secretaria Municipal de Saúde afastou profissional e informou caso ao ministério; médico será ouvido nesta terça-feira (20) pela delegada que investiga o caso

Goiás - Três grávidas acusam um médico cubano, integrante do Programa Mais Médicos do governo federal, de praticar abuso sexual contra elas durante atendimento num posto de saúde na cidade de Luziânia (GO), na região do Entorno do Distrito Federal.
Uma delas disse à Polícia Civil que ele pediu para ela se deitar numa maca e, durante a consulta de rotina para verificar a situação de uma infecção urinária, o profissional tocou suas parte íntimas com intenção de praticar ato libidinoso.
O profissional atuava no posto desde o começo deste ano. As mulheres que o acusam já passaram por exame de corpo de delito. “A forma como ele agia é a mesma. Eram gestantes e aí, na consulta de rotina, para verificar a situação gestacional, ele praticava o ato libidinoso com as vítimas”, afirmou a delegada Dilamar de Castro, que deve ouvir o acusado nesta terça-feira (20).
A Secretaria de Saúde de Luziânia informou que já afastou o médico do trabalho. O órgão disse ainda que já repassou as denúncias para o Ministério da Saúde, responsável pelo Mais Médicos e por contratar o profissional.
Fonte: site 247

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Policiais de treze Estados decidem parar na quarta-feira. SP e RJ estão entre os que confirmaram adesão à paralisação

A paralisação nacional de policiais, convocada para a próxima quarta-feira, já tem a adesão de metade dos Estados brasileiros. Até o início da tarde desta segunda, agentes de treze unidades da federação aceitaram a convocação feita pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (Cobrapol). São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Amazonas, Pará, Alagoas, Paraíba, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Bahia. “Distrito Federal e os demais Estados devem responder até terça-feira se vão também cruzar os braços. Não recebemos nenhuma resposta negativa ainda”, disse ao site de VEJA o presidente da Cobrapol, Jânio Bosco Gandra.
O movimento envolve policiais civis, federais e rodoviários – os militares são proibidos, pelos códigos militares, de fazer greve, apesar de haver algumas mobilizações isoladas. Gandra afirma que em alguns Estados podem ser mantidos de 30% a 70% dos agentes trabalhando. “Vai depender do nível de violência e da demanda de cada lugar”, explica. A medida, de acordo com ele, é para evitar que se repita em escala nacional o caos das ruas de Recife na semana passada, em razão da paralisação da Polícia Militar. “Já fizemos um pedido especial para que os movimentos pernambucano e baiano não envolvam a PM. Não podemos causar o resultado inverso, queremos que realmente melhore a segurança pública no país”, reforçou o presidente da Cobrapol.
O objeto da paralisação é pressionar o governo federal a criar uma política de segurança pública que se preocupe também em melhorar as condições de trabalho da força policial. “Não existe uma gestão nacional nem investimento adequado. Nesse jogo de empurra, a população fica com a sensação de impunidade. Em alguns Estados, o índice de crimes solucionados não passa de 8%, é baixíssimo”, diz Gandra, acrescentando que não houve sequer treinamento adequado de policiais para a Copa do Mundo. “Esperamos que o governo reagisse, mas ele decidiu treinar só 300 agentes da Força Nacional. Esse número é insuficiente para dar conta de todas as sedes. A gente teme por isso. Pode ser um fiasco”.
Mobilizações - Em Brasília, os agentes farão uma passeata que pode terminar no Ministério da Justiça ou na Praça dos Três Poderes. No Rio, o grupo se encontra às 14h na Cidade da Polícia, Zona Norte da capital, e caminha até o bairro da Tijuca. “Às 19h, faremos uma assembleia para definir os rumos da categoria”, acrescenta Francisco Chao, presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sindpol).
A categoria paulista programa uma passeata para o sábado. O acordo oferecido pelo governo federal não foi aceito. “Nós pleiteamos uma restruturação de carreira que possa entrar em vigor em 2016, mas o governo nos oferece apenas ajuste salarial e não garante anistia aos grevistas. Por isso, a greve não está descartada”, afirmou Alexandre Sally, presidente do sindicato de policiais federais do Estado de São Paulo.

Projeto de lei proíbe greves de militares


Parado na Comissão de Direitos Humanos do Senado, um projeto de lei apresentado em 2011 pelo senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) regulamenta as greves no serviço público no Brasil – para o setor privado, a regulamentação é de 1989. O texto estabelece condições para negociação, cria exigências de prazo para que os sindicatos informem a população e os governos com trinta dias de antecedência sobre as reivindicações e delimita efetivos mínimos para serviços públicos essenciais. O projeto propõe a proibição total de greves nas Forças Armadas, polícias e bombeiros militares. “No ano passado foram votados projetos que anistiaram grevistas de treze greves de policiais militares. Há um grande contrassenso nisso, pois quando há uma greve com danos para a população, mesmo com medidas decididas pelas corporações, a anistia torna a punição algo inócuo”, critica o tucano.
A regulamentação, explica o senador, incorpora os princípios da convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece a proteção do direito de organização do trabalhador e define as condições para o serviço público para os países signatários. Em linhas gerais, o projeto determina que sindicatos tenham normas claras de convocação de assembleias e as formas como serão decididas paralisações coletivas. Estabelece também a obrigatoriedade de formação de uma mesa de negociação coletiva – ou seja, a negociação não fica à mercê da vontade política dos governantes. As greves no serviço público passam a ser – como manda o bom senso – o último recurso, uma medida extrema para quando não foi possível alcançar a solução do impasse.
Serviços essenciais, de acordo com o PL 710/2011, devem manter 60% de seus servidores em atividade; para a segurança pública – incluídos policiais civis e guardas municipais – precisam atuar com 80% de seu efetivo. E, no caso de quadros do Exército, Marinha, Aeronáutica, PM e bombeiros, toda paralisação seria ilegal.
“Greves no serviço público são sempre penosas. É preciso salvaguardar a população, para que saiba com antecedência quando haverá uma paralisação, e proteger os servidores, para que não fiquem vulneráveis a desmandos”, diz Ferreira. O projeto também limita a 30% os cortes de vencimentos em caso de suspensão dos pagamentos dos grevistas, e proíbe exonerações, transferências ou medidas punitivas para grevistas durante a paralisação
Fonte: site policialbr