quarta-feira, 16 de abril de 2014

PM Baiana Entra Em Greve Por Tempo Indeterminado

Uma das rodadas de negociação que durou nove meses
 Após nove meses de negociações entre integrantes do governo baiano e representantes de todas as associações da classe policial militar (ASPRA, APPM, FORÇA INVICTA, OBSCI, ABSSO, DOIS DE JULHO), quando foram discutidas melhorias para a categoria, não houve acordo entre o GT (grupo de trabalho) dos policiais e o Governo, sendo decretada na data de ontem (15) a grve da Polícia Militar da Bahia.


A Assembléia que teve início às 15 horas desta terça-feira, foi encerrada por volta das 19 horas quando após esperarem por uma proposta do governador Jacques Wagner, que não aconteceu, os presentes decidiram pela paralisação das atividades policiais. Dentre os principais pontos exigidos pela categoria, estão o cumprimento de direitos adquiridos desde 1997 e ignorados pelo Governo do Estado, pagamento da URV (já determinado pela STF e ignorado pelo governo baiano), Plano de Carreira (hoje um soldado da PM leva até 25 anos para receber uma promoção que deveria vir com, no máximo, 07 anos), além do pagamento na modalidade de subsídio em vez de gratificações (GAP), como acontece  hoje.



Na tentativa de burlar o movimento, o governo ainda apresentou  uma "proposta indecente" para ser analisada pela categoria onde continha muitos abusos à Constituição Federal e retrocessos, principalmente no Código de Ética, um substitutivo do Regulamento Disciplinar, só pra ter como exemplo: ...trotar ou galopar com o cavalo (passível de punição disciplinar); receber multa de trânsito (infração disciplinar); entrar no quartel com jornal ou revista que contenha fato contra a disciplina.( infração disciplinar) ; participar de entidades de classe, associação ou sindicato. (infração disciplinar), dentre outros impropérios dignos da idade média. E pra fechar o rol de absurdos, ainda propôs a substituição da pena de detenção por uma de suspensão de 90 dias (sem salário), que na prática torna-se em 120 dias sem vencimentos.


A  Assembleia, a princípio, estava marcada para o dia 21 de março, mas foi adiada a pedido do governador, para analisar melhor as propostas (mesmo já tendo sido discutidas por NOVE MESES). O governo, na verdade, foi inábil ou no mínimo negligente na condução da negociação, quando por falta de sensibilidade    permitiu que a greve fosse decretada, omitindo da população a gravidade do que estava por acontecer expondo-a aos riscos que virão.

As Associações dos policiais negociaram o quanto puderam, mas chega o ponto que decisões, muitas vezes antipáticas precisam ser tomadas, afinal são 17 anos de espera por melhorias acordadas pelo próprio Governo e não cumpridas.

Durante a Assembléia, houve, inclusive, suspensão do fornecimento de energia elétrica por alguns minutos, o que deixou no ar uma suspeita de boicote, o que só serviu para acirrar os ânimos e reforçar o sentimento dos presentes que decretaram greve por tempo indeterminado na Polícia Militar da Bahia.

Policiais chegando para a assembléia

Assembléia da PM - cerca de 10 mil policiais presentes

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